Ler os jornais das ultimas duas semanas dá uma sensação de desalento e ao mesmo tempo mostra ações e atitudes positivas acontecendo aqui e ali tentando conter nossa voracidade em destruir ambientes naturais. As noticias mais publicadas se referem aos parcos 10% restantes da Mata Atlântica, números escandalosos previstos e denunciados há mais de 2 décadas. O cerrado segue na mesma trilha. Aumenta o percentual de desmate em ritmo alucinante.Metade da área já foi devastada. Em compensação a Amazonia apresenta números de redução de seu desmatamento em 48% comparados aos dados do ano passado. Fora isso, temos notícias esparsas de aumento dos indices de poluição em Vitória, e o incansável aumento do numero de focos de queimadas no País entre outras.
Esta semana, São Paulo recebeu Pavan Sukhdev, o assessor especial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) que informou, em evento organizado pela SMA, que os investimentos mundiais no campo da economia verde aumentaram US$ 119 bilhões entre 2004 e 2009, o que contradiz, na sua avaliação, o argumento de que não existem recursos para projetos sustentáveis. Dados do Pnuma indicam que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil dependem dos "serviços ambientais".Na Índia e na Indonésia, esses índices são de 16% e 21% respectivamente.
Saindo da palestra e entrando na vida real, vemos que a noticia que menos repercutiu tratou do corte de uma paineira centenária em Jaboticabal, a 344 km de São Paulo. A árvore estava em uma área onde está sendo construído um supermercado. De nada adiantaram os protestos de ambientalistas e moradores locais. O que choca é a falta de visão do supermercado que poderia muito bem ter aproveitado a ocasião para ter uma atitude sustentável. Faria bem para a comunidade e para a sua marca. Ele certamente está longe da economia verde.
Ecowatch - Como imprensa brasileira trata as questões ambientais ? Os comentários são fruto do monitoramento semanal das noticias publicadas no Brasil e no exterior.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Semana de 30 de agosto a 12 de setembro de 2010
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Semana de 23 a 30 de agosto de 2010
O tema mais falado da semana na imprensa brasileira que cobre meio ambiente foram as queimadas. Intencional ou resultante do tempo seco que estamos enfrentando o fato é que em 2010, aumentamos em 150% o numero de focos de incêndio em relação ao ano passado. Foram até agora 46 mil focos de queimadas registradas pelo Inpe em todo o país. Segundo pesquisadores do INPE as causas da maior parte dos incêndios são culturais e de origem econômica.
Nas matérias especiais destaco a matéria do caderno Vida do Estadão apontando os esforços das empresas de engenharia automotiva brasileiras a desenvolver carros mais leves com o objetivo de diminuir o efeito estufa dos carros. A cada 100 kg de redução de peso no veiculo a emissão de gases de efeito estufa cai 5,2 toneladas em ônibus, 6,3 toneladas de CO2 em camionetes e 1,5 mil toneladas em aviões. Além da substituição do ferro pelo alumínio, o veiculo mais leve consome menos combustível e pode ser reciclado em proporções mais altas. A desvantagem é que a produção de alumínio consome mais energia do que a produção de aço.
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
Semana de 16 a 20 de agosto de 2010
Alem da política nacional de resíduos sólidos que está aumentando sensivelmente o numero de pautas sobre lixo na imprensa brasileira, tivemos uma semana cheia de noticias sobre lixos de fora do Brasil chegando por aqui embalados em containers surpresa. O que era para ser plástico para reciclagem surgiu como lixo original dos mais diversos usos e atividades. Por aqui, a noticia que mais repercutiu junto a esta foi a constatação de que mais de 70% das cidades brasileiras despejam lixo em locais que não são adequados.. Somente 27,7% dão o destino correto aos resíduos sólidos, em aterros sanitários. A forma mais irregular de destinação, os lixões, foi a que menos cresceu nos últimos oito anos, mas ainda é a opção de cinco em cada dez prefeituras (50,8%). O interessante é notar que pouco se falou das novas tecnologias já existentes no Brasil que permitem a recuperação total do lixo vindo nas mais variadas formas e composições.
Há uma industria em Lorena, no interior de São Paulo, por exemplo que consegue recuperar 100% do lixo, gerando energia limpa e cuja tecnologia é genuinamente nacional. Pena que a imprensa não fala dela e de outras na mesma linha como deveria.
Agora escândalo mesmo foi a noticia que pouco ou nada repercutiu da construção de uma usina hidroelétrica em Sinop com capacidade de gerar 400 megawatts de energia elétrica, que será uma das cinco usinas instaladas no rio Teles Pires. A barragem ficará entre os municípios de Itaúba e Cláudia e ocupará cerca de 33 mil hectares é a única que trabalhará com reservatório. Além de Sinop, Itaúba e Cláudia também serão afetados com a implantação da hidrelétrica, os municípios de Ipiranga do Norte e Sorriso. De acordo com o diretor de estudos da Empresa Pesquisa Energéticas, Amílcar Guerreiro, a maior parte do lago formado com a implantação da usina será concentrada em Sinop. "Após encher o reservatório cerca de 60% ficará em áreas sinopenses e ocupará 5% do território do município", disse Amílcar, ao Só Notícias. O planejamento foi apresentado, no final de semana, em audiência do Ministério Público , com participação de agricultores, donos de fazendas que serão alagadas e lideranças políticas. Que conheceu o Teles Pires sabe do que estou falando...
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Semana de 9 a 13 de agosto de 2010.
A diminuição do desmatamento na Amazônia por um lado e as queimadas incontroláveis por outro foram o destaque da semana que passou nas editorias de meio ambiente das mídias brasileiras. O perfil do tipo de desmatamento mudou e agora acontece em pequenas áreas segundo a ministra do Meio Ambiente. Já as queimadas voltam a acontecer como todos os anos, devastando fauna e flora por onde passam. Isso sem falar nos incontáveis prejuízos à saúde humana.
Uma noticia importante que teve destaque também foi a assinatura, por parte do Brasil e Estados Unidos, de um acordo na área de meio ambiente para conversão da dívida brasileira em investimentos na preservação e conservação de florestas tropicais. O acordo , firmado com a Agência Internacional de Cooperação dos Estados Unidos ( USAID)prevê que serão destinados US$ 21 milhões para projetos nas áreas de conservação, manejo e monitoramento. O primeiro edital para projetos relativos ao acordo deve sair até o fim do ano. O foco dos investimentos será a biodiversidade, conservação, áreas protegidas, manejo, populações tradicionais por meio de projetos de desenvolvimento local, em monitoramento e vigilância e os recursos deverão ser destinados à preservação e conservação da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga.
Nas menos faladas temos que um estudo do PNUMA- Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente indicou que um quinto dos manguezais foi destruído no Brasil desde 1980, e que eles continuam a ser destruídos a uma taxa de 0,7% por ano por atividades como construção civil e criação de camarões. Como os manguezais são importantíssimos para a preservação o alerta é uma denuncia que precisaria repercutir mais.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Semana de 2 a 8 de agosto de 2010
Esta semana foi pródiga em noticias variadas sobre projetos de preservação na área ambiental, seguidos da revisão do Código Florestal prometida pelo Ministério do Meio Ambiente e queimadas aqui e acolá, como acontece todos os anos.
A intensa movimentação que acontece nos bastidores das articulações ambientais rumo à Rio +20, Green Economy Coalition, revisão do Código Florestal, no entanto está passando ao largo da imprensa nacional.
Talvez deixem para falar disso quando houverem fatos relevantes, protestos ou algo que gere boas imagens para mostrar um pouco do enorme esforço que entidades de todo o país estão articulando em prol de questões importantes e impactantes a serem decididas durante a CoP 16 e a Rio +20.
Houve também o debate dos candidatos à Presidência que, apesar de morno, mostrou que a candidata Marina Silva, do PV, consegue se posicionar bravamente em meio aos majoritários.
Nas menos faladas temos um alerta importante do Ministério Público que deve entrar com ação contra decreto do prefeito Gilberto Kassab, pois este permitiria a construção de residências populares em zonas de preservação permanente como as represas Billings e Guarapiranga.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Semana de 23 de julho a 2 de agosto de 2010
A semana que passou foi a semana do lixo. Com a sanção da política de resíduos sólidos, o País passou a ter um marco regulatório na área. A lei faz distinção entre resíduo (lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não pode ser reaproveitado). As atividades que merecerão destaque no novo cenário serão a redução do uso dos recursos naturais (água e energia, por exemplo) no processo de produção de novos produtos, intensificação das ações de educação ambiental, aumento da reciclagem no país, promoção da inclusão social, a geração de emprego e renda de catadores de materiais recicláveis.
A partir de agora deveremos obedecer o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Isso abrange fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.
Além do lixo, jornais publicaram notícias variadas sobre alternativas positivas de preservação do meio ambiente, o que merece destaque pois geralmente as notícias tendem a focar desastres dos mais variados tamanhos sem mostrar soluções.
Outra noticia muito interessante e que certamente ficará como um marco na história como uma mudança de paradigma nas relações em prol do meio ambiente foi a assinatura do Equador de um termo de compromisso com as Nações Unidas pelo qual concorda em não explorar reservas de petróleo que ficam dentro de uma área de proteção ambiental na Amazônia para, em troca, receber cerca de US$ 3,6 bilhões de países ricos. O interessante é que já há dinheiro da Alemanha para fazer com que isto se torne factível.
Nas notícias que menos repercutiram temos que um terço do litoral de Pernambuco, com 187 quilômetros, foi afetado pela erosão costeira, segundo estudo publicado pelo Ministério do Meio Ambiente. A denuncia foi feita por pesquisadores durante a reunião da SBPC e, segundo eles, a situação se agravará nos próximos anos por causa do aquecimento global .
A partir de agora deveremos obedecer o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Isso abrange fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.
Além do lixo, jornais publicaram notícias variadas sobre alternativas positivas de preservação do meio ambiente, o que merece destaque pois geralmente as notícias tendem a focar desastres dos mais variados tamanhos sem mostrar soluções.
Outra noticia muito interessante e que certamente ficará como um marco na história como uma mudança de paradigma nas relações em prol do meio ambiente foi a assinatura do Equador de um termo de compromisso com as Nações Unidas pelo qual concorda em não explorar reservas de petróleo que ficam dentro de uma área de proteção ambiental na Amazônia para, em troca, receber cerca de US$ 3,6 bilhões de países ricos. O interessante é que já há dinheiro da Alemanha para fazer com que isto se torne factível.
Nas notícias que menos repercutiram temos que um terço do litoral de Pernambuco, com 187 quilômetros, foi afetado pela erosão costeira, segundo estudo publicado pelo Ministério do Meio Ambiente. A denuncia foi feita por pesquisadores durante a reunião da SBPC e, segundo eles, a situação se agravará nos próximos anos por causa do aquecimento global .
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Semana de 19 a 23 de julho de 2010
A semana foi intensa em material publicado sobre meio ambiente e assuntos correlatos.
Desmatamento, vazamento e reaproveitamento de materiais foram os assuntos mais abordados mas tivemos outras não menos importantes como a gestão das águas no Brasil, biocombustíveis entre outros.
Uma das mais comentadas depois da informação sobre a diminuição da taxa de desmatamento em 45% na Amazônia, foi a informação de que mais da metade do pampa gaúcho desapareceu.
Na Amazônia, três frigoríficos informaram que não vão mais comprar gado de 221 fazendas localizadas em unidades de conservação ou próximas a áreas recém-desmatadas na região e também as que estão dentro de terras indígenas.
Saiu também na revista Science o estudo feito por pesquisadores brasileiros que informa que mais de 100 mil espécies de animais poderão ser extintos e as emissões de gás carbônico na atmosfera poderão aumentar substancialmente caso o Código Florestal recém votado entre em vigor.
Desde que o vazamento da BP começou, em abril deste ano, quase 2.200 pássaros foram encontrados mortos, a maior parte deles no Estado da Louisiana, além de quase 500 tartarugas marítimas, em torno da metade delas no Mississipi. Quase 950 quilômetros da costa do Golfo do México estão banhados em petróleo, a maior porção nos pântanos da Louisiana. Isso está colocando em risco, pelo menos temporariamente, segmentos da pesca cruciais para a economia local, como os de camarões e caranguejos.
Menos faladas temos que a Universidade Regional de Blumenau – FURB - está desenvolvendo um protótipo industrial para produzir em larga escala a biogasolina que poderá ser usada como aditivo nas corridas de Formula 1. A biogasolina é produzida a partir do reaproveitamento de resíduos gordurosos.
O Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) será revisado, e as mudanças estão sendo discutidas nas 12 regiões hidrográficas do país. Os debates se dividem em duas vertentes: as necessidades locais e as grandes estratégias nacionais O documento que vai consolidar todas as propostas estará pronto até o final do ano, com planejamento para os próximos 15 anos. A imprensa bem que poderia prestar um serviço de utilidade pública acompanhando estes debates mais de perto.
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