quarta-feira, 7 de julho de 2010

Semana de 27 de junho a 2 de julho de 2010

Sem dúvida alguma os balões que costumam ser soltos em grande quantidade nesta época do ano foram o tema central dos incêndios e danos ambientais seqüenciais da semana que passou.
Apesar das matérias denunciarem exaustivamente vários detalhes da ação dos balonistas nada parece mudar. Em compensação não podemos dizer que a atenção da imprensa para com este assunto chega aos pés da cobertura passo a passo da morte da ex-amante do goleiro do Rio de Janeiro!

Em paralelo, as mudanças no Código Florestal voltaram à tona, só que não repercutiram tanto na imprensa escrita quanto na web. Os sites focados em meio ambiente relatam o movimento dos ambientalistas e colocam os ruralistas como os grandes vilões do novo Código. A imprensa escrita ainda não teve tempo de analisar em profundidade o assunto.

Nas novidades boas mas de repercussão média, por enquanto, temos que a Alemanha irá produzir toda a sua eletricidade com fontes de energia renovável até 2050 e se tornar a primeira grande nação industrial a eliminar a dependência sobre combustíveis fósseis
O país produz 16 por cento de sua energia de fontes eólicas, solares e outras fontes renováveis - três vezes o índice de cinco por cento, há 15 anos.
Graças ao Ato de Energia Renovável, a Alemanha é o líder mundial de fotovoltaicos com metade da capacidade instalada. O país espera acrescentar mais de 5 mil megawatts de capacidade fotovoltaica neste ano para um total de 14 mil megawatts.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Semana de 5 a 16 de junho de 2010

O Congresso vota no dia 22 a proposta para modificar a legislaçao de proteçao das florestas brasileiras. O assunto vem sendo coberto pela imprensa brasileira com bastante destaque e deve gerar muita polemica enquanto náo ficarem claros os riscos resultantes de sugestóes tais como a anistia a quem desmatou até 2008. a eliminaçao de areas de conservaçao para pequenas propriedades e a transferencia da decisáo de preservar para cada estado. O assunto promete pegar fogo.

Depois de tomar as manchetes dos jornais, a usina de Belo Monte quase que saiu do olhar da midia, mas náo da midia social. Agora resurge em uma materia no Estado de S.Paulo que anuncia que o governo tomou para si a responsabilidade por levar o projeto adiante.
Belo Monte parece ser táo estratégico para este governo que estranha o fato de ninguém levantar a questao diretamente vinculada à campanha presidencial. Seria um fundo de caixa? Afinal porque é táo importante partir para uma decisáo que vai contra todos os criterios de responsabilidade social e sustentabilidade?

O vazamento do poço da BP continua em alta na imprensa internacional, e por aqui tem merecido uma cobertura média. Náo dá para entender também porque ninguém levanta dados sobre a Petrobras, nossos riscos e de que formas podemos nos prevenir contra riscos do genero. A impressao que dá é que o assunto é norte-americano, portanto náo interessa por aqui.

Das noticias que menos repercutiram por aqui destaquei 3

A indústria madeireira do Brasil reduziu seu consumo de madeira procedente da Amazônia em 42,04% nos últimos cinco anos, para os 14,2 milhões de metros cúbicos processados em 2009, segundo um relatório oficial divulgado hoje.

Outra informaçao interessante mas que pouco repercutiu foi o dado de que o Brasil já produz tanto lixo quanto os europeus sendo que apenas 55,6% dos municipios brasileiros contam com programas de coleta seletiva.

Nas matérias que menos repercutiram tivemos a retomada das atividades de mineração industrial na região de Serra Pelada, localizada em Curionópolis (PA). O local ficou conhecido durante a década de 1980 por ter sido o maior garimpo de ouro a céu aberto do mundo. A exploração do mineral em Serra Pelada não acontece desde 1992.

sábado, 10 de abril de 2010

Semana de 29 a 9 de abril de 2010

As duas ultimas semanas foram pródigas em matérias relacionadas ao meio ambiente por conta da enorme quantidade de chuva que caiu no país, mais significativamente no Rio de Janeiro. A chuva certamente não é a culpada pelas mortes e isso ficou muito bem explicitado na excelente cobertura feita pela Globo News tendo como repórter de campo Andre Trigueiro. A sensação era de estar assistindo a um tele-jornal como dos melhores no mundo. Não parecia cobertura jornalística brasileira por dois fatores principais: o repórter em questão tem bagagem suficiente para fazer uma cobertura critica e não se limitou a repetir o que esta ou aquela fonte disse. Mais do que isso, trouxe à tona dados relevantes do passado e do presente deixando claro a quem quisesse ouvir qual o motivo de tamanha catástrofe. Do outro lado, as perguntas dos ancoras também eram perguntas reais, que qualquer um faria. Sem censura. De resto, a chuva ocupou as manchetes dos jornais durante a ultima semana e trouxe imagens impressionantes mas deixou muito a desejar nas cobranças por soluções, refletindo a cultura local que moveu pessoas para atos de solidariedade instantânea mas não moveu para uma cobrança junto às autoridades.
Outro aspecto interessante neste período de aquecimento da campanha presidencial foi a citação rápida e breve de Jose Serra em relação às questões ambientais durante o lançamento de sua candidatura. Já o lançamento de Marina Silva teve pouquíssima repercussão na imprensa. Não dá para entender como alguém com o histórico de Marina não é visto pela imprensa como novidade ou uma alternativa diferenciada num cenário onde sempre os mesmos estão dando das cartas. A imprensa brasileira realmente tem um olhar viciado.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Semana de 25 a 29 de janeiro de 2010

A imprensa brasileira comeu bola na cobertura do aumento do preço do álcool. As matérias falaram de tudo menos do risco de aumento da poluição e risco para a saúde dos habitantes, especialmente de grandes metrópoles. Esqueceu de fazer um paralelo entre o discurso do Lula na COP 15 e as atitudes dentro do Brasil que continuamente não privilegiam o meio ambiente quando se trata de decidir entre o viés econômico e o ambiental como se um tivesse que excluir o outro. Continuamos bonitos nos discursos mas muito feios na pratica.

Das noticias que menos repercutiram temos a noticia de que sete novos produtos brasileiros entram para a Arca do Gosto do Slow Food. São eles o berbigão, a cagaita, o cambuci, o licuri, a mangaba, a ostra de Cananéia e o pequi. A Arca do Gosto é um projeto do movimento internacional Slow Food que identifica, localiza e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potencial produtivo e comercial. O objetivo é documentar produtos gastronômicos especiais, que correm o risco de desaparecer. Desde o início da iniciativa, em 1996, mais de 750 produtos de dezenas de países foram integrados à Arca.
O Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos, fundada em 1989, conjuga o prazer e a alimentação com consciência e responsabilidade, reconhecendo as fortes conexões entre o prato e o planeta. Hoje conta com mais de 100 mil associados espalhados em todo o mundo.
E finalmente uma noticia que pouco ou nada repercutiu foi o fato do Brasil ter perdido 27 posiçoes no ranking mundial de meio ambiente elaborado pelas Universidades de Yale e e Columbia nos EUA. O resultado coloca o Brasil atrás dos EUA, que ocupam o 61º lugar, com bom resultado em indicadores como qualidade de água potável, mas desempenho ruim na emissão de gases-estufa e poluentes.
China e Índia ocupam respectivamente o 121º e o 123º lugares.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Semana de 21 a 27 de janeiro de 2010

O pós Copenhague está sendo tratado pela mídia brasileira como todo escândalo, denuncia ou desastre. Passados 15/30 dias parece que aquele assunto não interessa mais, não faz mais parte da lupa dos jornalistas.
No entanto, nos bastidores há muita movimentação acontecendo mundialmente. Enganam-se aqueles que acham que as discussões ocorridas no Primeiro Mundo passaram e que agora tudo voltou ao normal como se nada fosse. O status quo não será mais o mesmo. Há muita discussão em curso, maturação dos acontecimentos e, muito em breve, veremos o assunto voltar à tona. Uma pena que a imprensa não esteja documentando a evolução das pressões e negociações.

Nos blogs destaco a discussão sobre a parceria da Conservation International com a Monsanto e a apresentação de resultados por parte de ambas do programa de recuperação do Cerrado e da Mata Atlântica que comemora um ano de vida.
Nos jornais e sites, o assunto mais falado foi pautado pelo governo, mais uma vez, a primeira termoelétrica do mundo com capacidade de produzir energia a partir do etanol e as negociações que recomeçaram depois do recesso das festas para tirar da estagnação o impasse de Copenhague.
Já no Google a mais publicada depois da renúncia da Ministra do Meio Ambiente da Venezuela foi o fato da Justiça Federal ter dado uma decisão favorável ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em três ações ajuizadas pelo Ministério Público Federal ligadas à construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia

domingo, 13 de dezembro de 2009

COP 15 e o mundo na Web

Mesmo que as negociações emperrem e nada do que está esperado para acontecer,aconteça, a CoP15 será um marco na História da Humanidade.
É a primeira vez que um movimento formado pela sociedade civil se forma com consistência global tão intensa sobre um tema tão complexo como é o das mudanças climáticas.
E isso não começou agora. Há mais de 3 anos, a "coisa" começou a tomar corpo, devagar, estruturando-se com base nas redes sociais, sem discriminar nada ou ninguém.
O movimento foi tomando uma dimensão tal que hoje vemos nos vários canais da midia, fotos e filmes de demonstrações pelo mundo inteiro clamando pelo mesmo mote: QUEREMOS UM ACORDO PRÁ VALER, WE WANT A REAL DEAL.
Não há censura televisiva, impressa que contenha a avalanche de imagens que se espalhou pela web e que tende a crescer cada vez mais retroalimentando o movimento, a articulando as entidades da sociedade civil e pressionando de forma constante os representantes dos governos.
Este "dialogo" se dá de uma forma nova e ninguém tem experiencia para dizer ou vislumbrar o que acontecerá nos proximos meses a partir do que está acontecendo agora!
Será que as pressões terminarão após a CoP15 e haverá o refluxo dessas populações que voltarão frustradas e passivas para suas casas? O movimento continuará a evoluir e formará uma nova instancia de poder no mundo globalizado? Funcionará como um termometro, estabelecendo os limites toleráveis para a indiferença ou a burocracia dos governantes?
Quanto uma estratégia de lobby conseguirá ser eficaz dentro de um mundo que se comunica em segundos,livremente, trazendo à tona tantos matizes e informações ?
Uma coisa é certa: depois da CoP15 o mundo dos governantes não será o mesmo e a mídia também terá que repensar formas de trabalhar melhor pois as redes sociais estão reportando o que está acontecendo hoje há muito tempo, com todos os seus matizes.
Nosso jornalismo viciado, repercutindo noticias sempre com as mesmas fontes há mais de 30 anos terá que mudar. A necessidade de interagir de perto e rapidamente com a sociedade civil estruturada em pequenas células muda visivelmente o padrão atual.
A comunicação entre as pessoas, empresas, governos mudou. E esta mudança se reflete em gente na rua, gente tomando decisões, gente que quer uma melhor relevância no conteúdo para tomar decisões sobre sua vida.