quarta-feira, 27 de abril de 2011

Semana de 22 a 27 de abril de 2011

No meio da briga entre ambientalistas e Aldo Rebelo, idealizador do Novo Código Florestal o Estadao publicou no sabado um excelente artigo de Vicente Andreu, presidente da Agencia Nacional de Aguas, a ANA. Além de colocar por terra o argumento daqueles que querem diminuir os 30 metros de cada lado da margem do rio para usos variados que não sejam  a preservação, ele sugere que os fundos das hidrelétricas terão em 2015 dinheiro suficiente para pagar R$ 1,00 por metro quadrado preservado aos proprietários de terras. Para quem maiores detalhes é só entrar no www.ana.org.br. Outra bola dentro foi a matéria publicada também pelo Estadão dando uma visão  sobre os preparativos da Rio +20. Finalmente mostraram parte dos bastidores e um processo em curso. Documentar processos e o desenvolvimento de articulações faz  um enorme bem à democracia e à evolução da sociedade. A imprensa tem um papel fundamental nisso mas infelizmente é preciso contar nos dedos matérias com este enfoque durante a leitura semanal.


Ainda sobre o Código Florestal vale a pena o debate que a CBN promoveu entre Aldo Rebelo e Joáo Paulo Capobianco, ex secretario de Marina Silva quando esta era ministra do Meio Ambiente. Foi tambem uma das poucas vezes em que um ambientalista enfrentou um deputado federal de frente com total liberdade de expressão, sem ironia e de forma direta e reta, sem meias palavras. 


Saindo um pouco da imprensa brasileira, temos uma abordagem bem criativa publicada pelo Economist propondo que as emissões de carbono sejam calculadas levando-se em consideração a emissão de carbono no pais adicionada à emissão produzida para fabricar os bens que o país importa. O estudo feito por um grupo de pesquisadores chamado Cicero mostra que os países europeus, por exemplo, que se orgulham de manter o mesmo nivel de emissões dos anos 90 teriam sua conta aumentada a ponto de se tornarem deficitários. 


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Semana de 10 a 16 de abril de 2011

Como dissemos na semana passada, o Código Florestal foi tema de várias reuniões, articulações com o objetivo de chegar a um consenso entre partes que ainda não conseguiram construir uma ponte ou mesmo uma cancela entre si.
Um dos pontos que mais me impressiona é a polêmica sobre os tais 15 ou 30 metros das margens dos rios que vem sendo apontado pela imprensa regularmente como se fosse mais um item da pauta.
Ora, em um pais de dimensões continentais essa discussão beira a loucura. Não estamos falando do Japão ou da Europa onde as propriedades rurais podem existir até em quintais de casas. Estamos falando de um país que dispõe de áreas imensas para agricultura. Ou seja, pedir 15 metros das margens, correndo o risco de comprometer um inteiro sistema natural é um absurdo tão grande que chega a incomodar, ainda mais pelo fato de que a imprensa local não aborda o tema em linguagem simples e acessível de maneira a tornar a informação sobre esta realidade compreensível a todos.

Denuncia do Estadão apontou que menos de 1% das multas do IBAMA são quitadas. A matéria analisa alguns aspectos informando que as multas diminuíram e que o IBAMA está focado em multar os grandes desmatadores. Mesmo assim, enfrenta problemas na cobrança pois muitas empresas estão em nome de "laranjas" além da enorme teia burocrática que atravanca o andamento dos processos. O que a matéria não aborda é a força do consumidor que, ao saber disto, pode optar por não comprar produtos de regiões como O Pará , Rondônia, Bahia e Mato Grosso pelo simples fato de não haver transparência nos processos de produção e falta de respeito à legislação local.
Quem ainda não foi ao Acre não deve deixar de ler matéria no Caderno de Turismo do Estadão publicada nesta  3a. feira contando os passos para melhor conhecer um pouco do coração da Amazônia. O turismo é sem dúvida nenhuma a alternativa mais apropriada para a região e quanto mais pessoas conhecerem e desfrutarem de suas belezas mais gente desenvolverá o ímpeto de proteger e garantir a perenidade de suas belezas naturais.
Muito interessante também a matéria do Valor Econômico falando sobre a troca de experiências de 40 prefeitos de todo o mundo que acontecerá em São Paulo em maio. O pano de fundo será os efeitos do clima na saúde pública. A rede formada em 2001 por estes prefeitos permite um intercâmbio riquíssimo de soluções que deram certo e outras que precisam ser evitadas. Vale a pena acompanhar.
Quanto às usinas nucleares, parece que o impacto do desastre de Fukushima por aqui já foi esquecido.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Semana de 3 a 8 de abril de 2011

Código Florestal e nuclear: semana quente


O tema mais quente destas próximas semanas será sem dúvida nenhuma a tentativa de votação do novo Código Florestal. De um lado, o Ministério do Meio Ambiente mostra que precisa ganhar tempo para tomar a decisão menos ruim. De outro, ruralistas levam gente para Brasília e investem pesado ameaçando com falta de alimentos e alta de preços. 
E como pitada adicional tivemos que além dos ambientalistas , a industria papeleira aderiu ao coro dos que não querem o Código do jeito que está.

Outro assunto quente é Belo Monte. O Valor Econômico destacou uma informação importante que revela o custo do impacto da obra nos municípios afetados que agora querem cobrar do governo o montante de R$  250 milhões e mais R$ 170 milhões ano para manutenção da operação.
Para colocar mais água na fervura a OEA – Organização dos Estados Americanos mandou ontem um comunicado indicando que Belo Monte é tem que realizar uma ampla consulta, principalmente junto às comunidades indígenas.
Quanto às usinas nucleares, se observarmos o que a imprensa vem registrando, parece que o susto já passou. O que é um perigo ainda maior quando vemos que Angra dos Reis e outros projetos precisam de uma discussão intensa em nossa sociedade para que não sejam levados em consideração somente na hora de um novo desastre.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Semana de 28 a 1 de abril de 2011

Muito interessante o mapa montado pela revista The Economist mostrando as plantas nucleares existentes no mundo que mostram a China com 77 reatores em construção e mais 110 planejados para breve. Com o acidente de Fukushima e a crescente contaminação do mar, ar e solo há uma enorme tensão no ar já que os impactos do desastre não conseguem ser minimizados e sequer dimensionados em curto espaço de tempo.   Aliás muito interessante o formato do jornal da Cultura apresentado por Maria Cristina Poli que vem trazendo convidados para comentar notícias do dia a dia dando ao espectador munição para se aprofundar ou formar uma opinião mais consistente em relação aos vários temas abordados. Recentemente, o acidente de Fukushima foi tema de comentários que mostraram o quanto estamos distantes de compreender o enorme risco que corremos ao trabalhar em escala industrial com as usinas nucleares.
Estas semanas têm sido semanas de muita, mas muita articulação mesmo, da parte de ambientalistas em relação às campanhas que deverão mobilizar a sociedade mundial em torno da Rio +20. As discussões avançam a passos largos, principalmente em nível internacional. Pena que a imprensa não está documentando isso. O que está visivel nas paginas em papel e na web são as discussões em torno de Belo Monte que voltou ao cenário mostrando dois pólos opostos em confronto morno, em termos de repercussão, ainda quando se fala da continuidade das obras. De um lado, o governo, que não abre mão do projeto e de outro, toda a sociedade brasileira. Até a Organização dos Estados Americanos (OEA),pediu esclarecimentos sobre o processo de licenciamento de Belo Monte. Vamos ver até que ponto a corda vai.
E, por fim, o Código Florestal aparece como um dos temas mais falados na web pois há uma enorme mobilização da sociedade em torno do texto a ser refeito. 




    

quarta-feira, 16 de março de 2011

Semana de 15 a 19 de março 2011

Não há lugar no mundo onde não se fale do tsunami no Japão e suas conseqüências. O tsunami que parecia algo impressionante foi rapidamente substituído nas manchetes pelos perigos que a população das ilhas está enfrentando com os constantes escapes de radio atividade da usina nuclear de Fukushima.
Números e mais números não conseguem esconder a falta total de preparo do ser humano no controle daquilo que ele criou frente um desafio imposto pela Natureza. Assim foi com vários acidentes acontecidos com usinas nucleares em vários países ou mesmo com as plataformas de petróleo. A energia nuclear não é trabalho para iniciantes. E, em seu controle, vemos constantemente que estamos engatinhando. Mas o ser humano é cabeçudo, segue em frente, não tem limites. Quando a Natureza se manifesta e não conseguimos controlar algo que parecia extremamente controlável entramos em parafuso. Quilômetros de matérias se acumulam, aumenta a audiência de todas as mídias e centenas de debates pipocam debatendo o assunto.
No Brasil, até que os debates começaram rapidinho e eles mostram novamente o que todos já sabemos: falta fazer a lição de casa e definir um modelo de produção de energia para o país levando em consideração o custo ambiental destas opções. A imprensa continua a repetir as versões apresentadas nos debates: os custos das opções existentes - biomassa, hidrelétricas, nucleares e eólicas são comparadas apenas a partir dos investimentos financeiros e não levam em consideração os custos ambientais de cada decisão. Na hora do desastre, estes custos aparecem e aí seguradoras começam a apresentar contas faraônicas, comunidades começam a contar seus mortos e por aí vai.
Seria bom que a imprensa fosse mais fundo na discussão e na difusão das noticias ou debates avançando na busca por informações mais consistentes e que pudessem auxiliar a opinião pública a tomar decisões com conhecimento de causa e não a partir de partes fracionadas de um grande iceberg.
Afinal quanto custa (de verdade) para  a nossa sociedade e para o mundo optar por usinas nucleares, energia eólica, biomassa ou hidrelétricas?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Investimento em infraestrutura pressupõe passar o trator nas questóes ambientais?

Matéria publicada em O Estado de S.Paulo ( 20/02/2011) traz uma macro abordagem sobre as principais obras que deixam os ambientalistas de cabelos em pé ainda mais agora com o choque de gestão propalado pelo Governo no sentido de agilizar os processos de licenciamento ambiental.
Que é preciso um choque de gestáo há muito tempo neste país náo há dúvida alguma. Mas o que deixa me espanta mesmo é a falta de um olhar crítico sobre o tema e a necessidade de planejar o desenvolvimento brasileiro levando em consideração a necessidade de implantar o quanto antes uma economia verde no país. Vamos imaginar que Belo Monte, a ligaçao do Rodoanel com a Fernáo Dias e o aeroporto de Guarulhos, Porto Açu no Rio de Janeiro e outros projetos fossem aprovados a toque de caixa porque são indutores importantes de desenvolvimento. Sem prestar muita atençao às questóes de sustentabilidade destes projetos olhariamos daqui a alguns anos para trás e veriamos o mesmo cenário que vemos hoje. Ou seja, obras que destruíram patrimonios naturais importantes e que têm um tempo de vida relativamente curto se compararmos com as riquezas naturais dizimadas sem qualquer critério. Qual o custo disso? Todos concordam que há de haver critério mas qual será esse critério? Afinal quanto as questóes da sustentabilidade pesam na balança do desenvolvimento? Estas sào as perguntas que temos que enfrentar se quisermos ser um país desenvolvido em médio prazo.
Estamos no início de uma transiçao importante para a economia verde. Ontem, na reunião preparatória da Rio+20 em Nairobi, com a presença inclusive da ministra do Meio Ambiente brasileira e mais 3 centenas de delegados de todo o mundo, 80 representantes, dentre eles o Brasil, assinaram uma nota que, dentre outras propostas ousadas, fala em adotar medidas concretas e efetivas para a implantação da economia verde indo de mudanças no regime financeiro e comercial internacional, compromissos para a criação e transição de empregos verdes e a adoção de novas métricas para o desenvolvimento.
É visível a distancia entre o discurso e a prática. O que dizer do financiamento massivo para a compra de carros deixando de lado investimentos em transporte público movido a eletricidade ou hidrogênio por exemplo?
A maioria dos países desenvolvidos já percebeu que estamos em um caminho sem volta e já está se estruturando para este novo momento. Entáo por que náo pular uma etapa e pensar fora da caixa ? Esse é o choque de gestão que o Brasil precisa.  A imprensa bem que poderia explorar um pouco mais este assunto.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Semana de 7 a 12 de fevereiro de 2011

Uma grande movimentação internacional está em curso. A imprensa ainda não notou a marola, mas há uma série de articulações em vários níveis, seja no Brasil, seja nos países que fazem história nas questões ambientais. O foco final de todos é a Rio+20 que promete ser um dos maiores eventos ambientais da década. Esforços de todos os lados, reuniões pelos quatro cantos do planeta estão acontecendo sem parar para gerar um trabalho estruturado que possa trazer resultados eficazes. Quem melhor retratou ultimamente este movimento foi Washington Novaes no Estadão levantando um detalhe interessante. Enquanto a movimentação das ONGs e governos é intensa  o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, decepcionado com os resultados das reuniões do clima em Copenhague (2009) e Cancún (2010),  reduziu sua equipe que trata de mudanças climáticas de 12 para 5 pessoas, e aumentou para 12 pessoas a equipe voltada para desenvolvimento sustentável. A perspectiva de Ban Ki-moon é de que não haja acordo sobre as mudanças climáticas a curto prazo. O novo foco, na economia verde deve representar algo mais palpável para o secretário geral, no que ele não está totalmente errado. O risco é partirmos para soluções pragmáticas de curto prazo que não vislumbram um planejamento de longuíssimo prazo que é fundamental para mudanças tão profundas quanto as que teremos que fazer nos próximos anos.
Enquanto isso Belo Monte continua firme e forte sob a alegação de que a sociedade civil já foi exaustivamente consultada, o Código Florestal brasileiro segue sua trilha devagar e ardilosamente articulada por aqueles que querem sua aprovação sem mudanças.
Está faltando trabalhar uma pauta respondendo à seguinte pergunta: quanto custa a articulação da sociedade civil em um país onde o governo ainda tem uma liberdade de expressão e de ação infinitamente maior do que o normal agindo sem se importar muito com o que seus eleitores pensam? Qual é o tamanho de nossa fragilidade?